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O frevo como dança, o frevo como música

Por Renato Phaelante*
Como vimos anteriormente, o Capoeira teria dado origem ao passo. Esses capoeiras por muitos anos mantiveram-se à frente dos desfiles acompanhando as bandas de músicas do Recife. Saísse um clube ou uma charanga e lá estavam eles, gingando, pisoteando, manobrando os cacetes, exibindo navalhas e fazendo passos complicados.

São unânimes os pesquisadores quanto à afirmativa da influência desses capoeiras, embora o desenvolvimento do que veio a se constituir o passo, no dizer oportuno do Mestre Câmara Cascudo defina suas características evolutivas: No mar do frevo, cada peixinho nada no seu jeito; e acrescenta: No passo, cada bailarino executa a ad libitum reação mímica da interpretação pessoal . Mímica determinante de aplicadas, inesperadas, piruetas famosas, na sombra simbólica, das sombrinhas borboletas.

Concluiu-se, então que, para fazer o passo não adianta utilizar-se de técnicas de naturalidade, basta que se viva, na prática, o Carnaval Pernambucano. Existem muitos programas de Escolas de Frevo espalhadas pelo Estado, alimentando a estética formal desse passo, por passistas que entre outros se tornaram famosos com o passar dos anos. Entre eles estão Egídio Bezerra que ficou conhecido como o Rei do Passo; Sete Molas, Nascimento do Passo, cujo verdadeiro nome é Francisco Nascimento Filho e Coruja, que possuía o nome de batismo de Francisco das Neves.

No que diz respeito ao frevo como música, tem-se a informação de que ele sofreu a influência da Modinha, da Polca, do Maxixe, do Galope, da Quadrilha, dos Dobrados. Surgiu, no início do século XX, depois das Fanfarras, a famosa Marcha Pernambucana que por sua vez, daria origem ao Frevo. Foi tomando espaço evidente no Carnaval de Rua, de modo que cada Clube passou a possuir seu próprio repertório.

Dois bons exemplos de marchas de clube que deram início a esse caminho do Frevo foram A Província, marcha do Clube Lenhadores composta por Juvenal Brasil em 1905 e a Marcha Gonçalves Maia, de Zeferino Bandeira, final do século XIX feita para o Clube das Pás.

Segundo o jornalista Mário Mello (1884-1959), o frevo veio do início do século, e o seu batismo, a imposição do nome, se deu anos depois. Uma marcha de introdução em estilo de polca-marcha com parte lenta para o canto, puxava os cordões dos grandes clubes, pelas ruas centrais do velho Recife. É ainda Mário Melo quem afirma: Quando um clube com seus milhares de acompanhantes penetrava na Ponte da Boa Vista, se comprimiam e eram levados de roldão. Findo o canto e, voltando à Fanfarra, à Introdução, entravam numa espécie de dança com trejeitos de capoeiras, sem uniformidade nos passos.

Por essa época, surgiu uma composição do maestro Zuzinha – José Lourenço da Silva – modificando a primeira parte, mais precisamente a introdução, além de incluir floreios instrumentais, que dava ao passista margem a improvisos e nova criatividade nos passos já existentes da dança. Era a hora do que vieram a denominar de Frevo, que Mário Melo intitulou de Divisor de Águas e proclamou, assim, Zuzinha, o Pai do Frevo.

O mesmo Mário Mello acrescentou em outro artigo: Quando a Banda de Música ou de Fanfarra rompia uma autêntica Marcha Pernambucana, impossível alguém resistir. Todos dançam, pulam, saracoteiam. A quem de plano elevado, vê aquela vida humana em ebulição, a idéia que lhe ocorre é de grande depósito líquido em fervura. O verbo na boca do povo é Frever. Seus derivados são: Frevura, Frevor e Frevo.

Nasceram, então, a marcha pernambucana, a marcha canção, finalmente a polca-frevo e a marcha-frevo. Era o Frevo, incorporando-se como ritmo às novas criações. Um exemplo da marcha pernambucana é a Canalha da Rua, de Valdemar de Oliveira sob o pseudônimo de José Capibaribe.

O maestro Edson Rodrigues, em comentário sobre o frevo, identifica três modalidades de frevos de rua: o frevo de Encontro, onde predominam os metais, sendo chamado, popularmente, de Abafo. O frevo Coqueiro, com notas agudas, evidenciando-se pela altura do pentagrama. O frevo Ventania, onde predominam as palhetas, sendo composto, em grande parte de semicolcheias.

Quando o frevo de rua adentrou os salões, surgiu mais uma classificação, o chamado frevo de Salão, uma mistura dos demais, feito por novos compositores no advento e incremento do carnaval de salão.

Segundo ainda o maestro Edson Rodrigues o frevo de Encontro ou Abafo, nasceu, como diz o nome, do tradicional encontro dos Clubes, hoje não muito comuns. Um exemplo desse frevo é o Fogão, de Sérgio Lisboa. E continua ele, referindo-se a esta modalidade do frevo: é muito alto para os trombones e pistões e sua execução depende da força no sopro dos músicos. A variante do frevo Abafo, o Coqueiro, tem introdução feita à base de notas curtas. Um exemplo disso é o frevo Toca Quem Pode, de Jonnes Johnson, de 1958. O frevo Ventania, mais ameno que os citados, exige grande habilidade dos executantes. É melhor utilizado por orquestras em lugares fechados (salões de clubes). E, um exemplo desse tipo é o frevo do maestro Duda: Nino, o Pernambuquinho.

De Leonardo Dantas a respeito do Frevo como música apreendemos que nos anos 30, com a popularização do ritmo pelas gravações em disco e sua transmissão pelos programas do rádio, convencionou-se dividir o frevo em frevo-de-rua (quando puramente instrumental), frevo-canção, (este, derivado da ária tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos de rua) e o frevo-de-blocos. Este último executado por orquestra de madeiras e cordas (pau e cordas, como são popularmente conhecidas), é chamado pelos compositores mais tradicionais tal Edgar Moraes (1904-1973), de marcha-de-bloco (Edgard Moraes, 1904-1973), tornando-se uma característica dos Blocos Carnavalescos Mistos do Recife. Para a sua execução é utilizado um coro de vozes femininas, que se faz acompanhar de uma orquestra formada por violões, violinos, cavaquinhos, banjos, clarinetes, contrabaixos, percussão; aparecendo nos dias atuais alguns metais (tubas, saxofones, bombardino e trompetes), indispensáveis no acompanhamento do coro, em face da necessidade de se fazer ouvir à distância.

No frevo-de-bloco, ainda segundo Leonardo, está a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano, diante do misto de saudade e evocação contidas nas letras e nas melodias de grande parte de suas estrofes. Como Evocação (1957), de Nelson Ferreira (1902-1976):

Felinto, Pedro Salgado,

Guilherme Fenelon

Cadê teus blocos famosos?

Bloco das Flores, Andaluza,

Pirilampos, Apôs-fum

Dos carnavais saudosos.

Ou como A Dor de uma Saudade, de Edgard Moraes, para o carnaval de 1961, feito em homenagem ao seu irmão Raul Moraes, falecido em 1937:

A dor de uma saudade

Vive sempre em meu coração

Ao relembrar alguém que partiu

Deixando uma recordação

Nunca mais...

Hão de voltar os tempos,

Felizes que passei em outros carnavais

Como o frevo-de-bloco, o frevo-canção possui, também, uma letra que vem logo em seguida à introdução orquestral, geralmente com dezesseis compassos. Tão velho quanto o frevo-de-rua como já vimos anteriormente, o frevo-canção é responsável pela grande animação dos salões e das multidões que acompanham as Freviocas durante os quatro, cinco e até dez dias de carnaval. Os motivos das suas letras são os mais diversos, inclusive a própria animação do frevo, como bem afirmaram Luiz Bandeira e Ernani Séve:

Êta frevo, bom danado!

Êta povo, animado!

Quando o frevo começa,

Parece que o mundo já vai se acabar,

Éh! Quem cai no passo não quer mais parar.

Muito embora o frevo-de-rua seja uma constante em todos os salões durante os dias de carnaval, foi feito inicialmente para ser executado a céu aberto. Na rua, como a sua denominação está a exigir. Sua base melódica é responsável pela coreografia do passo e pela movimentação das multidões não só do Recife, como de Olinda e de outras cidades pernambucanas.

Renato Phaelante pesquisador de MPB.

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