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Guerreiros do Passo é tema de reportagem publicada na Revista LET'S GO Pernambuco

Ano 1 - Nº 7
RITMO EM MOVIMENTO
Bailarinos lutam para manter o frevo como cultura viva. Para isso, fazem releituras da manifestação. 
Por Conceição Ricarte 
Fotos Carlos Vieira 

A primeira coisa que caracteriza o frevo é ser, não uma dança coletiva, de um grupo, um cordão, um cortejo, mas da multidão mesmo, já que a ele aderem todos que o ouvem, como se por todos passassem uma corrente eletrizante. De acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa, a palavra frevo, corruptela de “ferver”, significa “efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo carnaval”.
O ritmo dos metais, uma marcha de ritmo sincopado, violento e frenético, é acompanhado pela multidão, que ferve e ondula nos meneios da dança.

O coreógrafo, pesquisador e professor de frevo Eduardo Araújo tem 36 anos, e aderiu ao ritmo há 20. “Comecei a ter aulas na Escola Municipal de Frevo do Recife, com o mestre Nascimento do Passo (criador da escola e famoso passista, cujo nome de batismo era Francisco do Nascimento Filho. Ele faleceu em 2009, vítima de câncer)”, conta.
“Minha vida se transformou. Passei a viver o frevo e de frevo”, afirma. Ele explica que, como dança, o frevo tem origem nos capoeiras que vinham à frente das bandas, exibindo-se e praticando a capoeira no intuito de intimidar os grupos rivais.
O passo é a dança que se dança com o frevo. “Mas eles não foram os únicos. Os bêbados, desordeiros e prostitutas, quando estavam na folia, embriagados de cachaça, também criavam passos”, relata.

“Os membros de agremiações ligadas a associações de trabalhadores, como lenhadores, ferreiros e varredores de rua, também criavam movimentos e acabavam por batizá-los com nomes como Tesoura, Dobradiça, Ferrolho”. Quando Nascimento do Passo foi afastado das funções de professor da escola, Eduardo se uniu a quatro amigos para dar continuidade aos ensinamentos do mestre. E assim surgiu o projeto Guerreiros do Passo, que dá aulas de frevo todos os sábados, a partir das 15h na Praça Tertuliano Feitosa, mais conhecida como Praça do Hipódromo, no Recife.
“Só paramos durante a quaresma e no período de chuva, em junho, julho”, garante. O grupo, formado por cinco professores, conta com aproximadamente 25 alunos. “Mas quem quiser é só chegar, as aulas são grátis”, diz o professor e idealizador do Guerreiros. Alunos e professores já se apresentaram em eventos como o Festival Internacional de Dança do Recife, Mostra Brasileira de Dança e Festival de Inverno de Garanhuns. Antes, o projeto mantinha em outras duas comunidades as aulas, mas por falta de apoio, os trabalhos ficaram restritos apenas à praça.

A iniciativa não está ligada a nenhum incentivo institucional público ou privado, sua manutenção é feita pelos professores que arcam com todas as despesas do trabalho. “Procuramos conseguir todas as formas de apoio público para nossas aulas, mas é difícil”, diz Araújo. “O frevo é patrimônio imaterial brasileiro desde 2007”, argumenta.
Além de lutar para manter as aulas, o grupo busca preservar uma das características mais fortes do ritmo desde seu surgimento: o improviso. “Está havendo uma padronização da dança, todo mundo faz os mesmos passos, do mesmo jeito. As apresentações são todas iguais. Nossos alunos aprendem a interpretar os movimentos de uma forma pessoal, sem engessamento”. O Guerreiros volta às origens dessa dança que é a mais característica do Recife, e já possui 104 anos, em outros dois aspectos: a sombrinha e o figurino.

Evolução da Sombrinha
Elemento complementar da dança, a sombrinha é símbolo do frevo e auxilia os passistas em suas acrobacias. Em sua origem, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de tê-la na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.
Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas foram sendo transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.
“Desde o Frevo (espetáculo montado pelo grupo em 2006, que mostra a história do frevo) começamos a usar guarda-chuvas no lugar de sombrinhas. Acabamos nos acostumando, e retomamos seu uso na nossa dança”, fala Eduardo. No lugar das roupas coloridas do cetim, trajes dos anos 40 e 50.
“Nessas décadas, as pessoas saiam do trabalho e iam para a rua brincar o carnaval. Queremos mostrar que não é preciso nenhuma roupa especial nem nada do tipo para dançar frevo, basta querer”.
Guerreiros do Passo dão aulas de frevo aos sábados, a partir das 15h, na Praça Tertuliano Feitosa
(Foto do acervo do grupo, modificada com relação à publicada na Revista)

Passos do Frevo
Os passos do frevo nasceram da improvisação individual dos dançarinos, e com o correr dos anos, dessa improvisação foram adotados certos tipos ou arquétipos de passos. Existe um número incontável de passos ou evoluções com suas respectivas variantes. Entre os movimentos básicos mais conhecidos estão a Dobradiça, a Tesoura, a Locomotiva, o Ferrolho e o Parafuso.

DOBRADIÇA Flexiona-se as pernas, com os joelhos para frente e o apoio do corpo nas pontas dos pés. Corpo curvado para frente realizando as mudanças dos movimentos: o corpo apoiado nos calcanhares, que devem estar bem aproximados um do outro, pernas estendidas, o corpo jogado para frente e para trás, com a sombrinha na mão direita, subindo e descendo para ajudar no equilíbrio. Não há deslocamentos laterais. Os pés pisam no mesmo local com os calcanhares e pontas.

TESOURA Passo cruzado com pequenos deslocamentos à direita e à esquerda. Pequeno pulo, pernas semiflexionadas, sombrinha na mão direita, braços flexionados para os lados.

LOCOMOTIVA Com o corpo agachado e os braços abertos para frente, em quase circunferência e a sombrinha na mão direita, dão-se pequenos pulos para encolher e estirar cada uma das pernas, alternadamente.

FERROLHO Como a sapatear no gelo, as pernas movimentam-se primeiro em diagonal (um passo) e depois seguem para flexão em meia ponta, com o joelho direito virado para a esquerda e depois para a direita. Repetem-se os movimentos, vira-se o corpo em sentido contrário ao pé de apoio, acentuando o tempo e a marcha da música. Alternam-se os pés, movimentando-se para frente e para trás, em meia ponta e calcanhar; o passista descreve uma circunferência.

PARAFUSO Total flexão das pernas. O corpo fica, inicialmente, apoiado em um só pé virado, ou seja, a parte de cima do pé fica no chão, enquanto o outro pé vira, permitindo o apoio de lado.

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A Revista Let's Go

A publicação da editora Denver preza pela qualidade gráfica e apresenta um design leve, moderno e elegante. Possui conteúdo informativo, que retrata em alto estilo e bom gosto o que os estados da Bahia e de Pernambuco têm de melhor. Desde 2009, circula na Bahia e a partir de novembro de 2010 ganhou sua versão em Pernambuco.

Distribuição: Em toda a região de Pernambuco, Bahia e São Paulo.
Periodicidade: bimestral
Público alvo: Classe A e B

Um comentário:

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