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Frevo vai além de fazer o passo

PARTITURAS - Músicos e defensores do ritmo pernambucano ficam abismados com a falta de material que permita transmitir a todos a beleza de sua estrutura
Especial para o JC - Matéria publicada no Jornal do Commercio dia 04 de março de 2012
Conversar com José Menezes é o mesmo que entrar numa viagem pela história viva da música brasileira. Nascido na cidade de Nazaré da Mata, interior do Estado, e integrante de uma família de músicos, o maestro dedicou 70 dos seus quase 89 anos de idade a um dos mais notáveis e originais ritmos nacionais: o frevo. A paixão do compositor e arranjador pelo estilo é de encantar e contagiar. No entanto, parte da empolgação se dilui quando perguntado sobre o andamento do ensino do frevo em sua própria terra de origem. Não tem método! Não tem escola! Tá tudo errado! angustia-se.
O lamento do autor de grandes frevos como Vai pegar fogo, Terceiro dia, Tá bom demais, entre muitos outros, além de bastante pertinente, chega a ser surreal. Como uma arte centenária ainda não foi sistematizada em larga escala, não ganhou métodos de ensino e distribuição em território nacional e internacional?

É muito, na verdade, muitíssimo mais fácil um músico pernambucano encontrar obras educacionais sobre jazz, pop, rock, funk, heavy metal, música latina ou africana do que achar títulos (infelizmente, imaginários) como: Ensino básico de frevo para bateria, Técnicas de improvisação no frevo, Play alongs de frevo para baixistas ou Frevo para saxofonistas.

Importante nome do cenário da música pernambucana atual, o maestro Spok afirma que essa é uma preocupação que o acompanha e tem se intensificado há, pelo menos, uma década. Ele conta que, certa vez, ao viajar para tocar com Antônio Carlos Nóbrega em uma cidade da França, passou pelo que considera um grande constrangimento. Ao término de show ao ar livre, um músico encantado com a apresentação chegou junto de mim e me pediu partituras, informações, métodos sobre o que estávamos tocando. E, sem jeito, disse que não tinha isso, relembra.

Zé da Flauta músico, compositor, ex-diretor artístico e produtor da SpokFrevo Orquestra, entre 2002 e 2011, faz coro com o antigo parceiro de trabalho. Para ele, já passou o tempo de se encarar o frevo apenas como música sazonal, que aparece no Carnaval como coadjuvante. Ele tem que ser o ator principal. No meio da folia, a riqueza musical do frevo se perde, não é observada. Por isso, falo sempre do frevo de palco. Trabalho que começou a ganhar corpo com a SpokFrevo, observa.
A título de experimento, sentado diante do computador, em seu escritório em Casa Forte, o músico digita a palavra frevo no Google e clica no item imagens no menu superior do site de busca. Veja o que aparece: passo, passo, passo! Apenas imagens da dança, da festa. Onde estão as imagens dos músicos?, indaga. Em seu discurso, Zé da Flauta procura não deixar espaços para má interpretações. A festa, o passo são importantes, mas ele defende a tese de que o frevo a exemplo do jazz tem qualidade, autenticidade e força suficientes para ser apreciado por um público atento, exigente. Passo não pode existir sem frevo! Mas existe o frevo sem passo, é lógico!, costuma repetir.

Tanto Zé da Flauta quanto Spok ressaltam a ótima receptividade que as apresentações da orquestra tiveram e continua a ter em festivais de jazz em outras cidades do Brasil e do mundo. Entre os dias 13 de março e 1° de abril, estaremos em turnê pelos Estados Unidos, tocando e fazendo workshops em universidades. Adoro a festa, o Carnaval, mas sou muito mais feliz tocando em teatros, com o máximo de cuidado na execução, diz Spok.

Zé da Flauta e Wellington Lima (outro ex-empresário da SpokFrevo Orquestra) estão empregando os conhecimentos adquiridos com a citada big banda pernambucana em um novo grupo. Chama-se Real Frevo Orquestra. Ele conta com ótimos músicos e vamos dar continuidade à ideia de difundir o frevo como música para ser apreciada em teatros, ressalta.

Um comentário:

  1. Eu, realmente, não gostei do título desta matéria. Dá a entender que "o passo" é uma coisa fácil ou menor do que a música que lhe acompanha... E também fica subentendido como se um respeito e atenção maior estivesse sendo dada ao passo pela sociedade maior. O que não é verdade. Como bem sabemos, se hoje o passo tem método de ensino se deu a uma luta inglória do Mestre Nascimento que conseguiu a duras penas depois de décadas de luta convencer Jarbas Vasconcelos a fundar a Escola Municipal de Frevo que, diga-se de passagem deveria ter o Nome de Nascimento do Passo e não de um Maestro.

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