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Da existência do Frevo e do Passo

Por Leonardo Dantas
Em todos os carnavais aparecem sempre os estudiosos com novas teorias sobre este ou aquele aspecto.
No ano passado foi a tentativa de criação de um chamado Frevo de Palco, quando melhor se aplicaria a expressão já consagrada de Frevo Sinfônico, para justificar o andamento e apresentação dos três vencedores na categoria de “Frevo de Rua” no concurso da Prefeitura do Recife para 2011.
Agora surgem as opiniões da dispensável presença do passista nas apresentações do frevo instrumental (!).
Seria um frevo só para ser ouvido, assistido ordeiramente como se estivéssemos no Carnegie Hall de Nova Iorque,  nunca dançado (!)
 
Trata-se, segundo Guerra Peixe, de uma característica do frevo instrumental, no seu aspecto dança que o pernambucano denomina de passo: “e aí encontramos um fenômeno único na música popular brasileira. É a única dança em que o dançarino dança a orquestração. Cada volteio de um instrumento é acompanhado por um passo ou uma firula [volteio, rodeio] do passista. É uma dança individual, com a maioria dos passos tradicionalizados, mas que cada um executa a sua maneira”.

Dentre os muitos gêneros do frevo, o frevo-de-rua, é o de maior importância, pela sua identidade coreográfica com o passo. É nele que o compositor vem demonstrar todo o seu conhecimento musical, a sua forma de compor e de criar frases utilizando-se dos metais (trombones, trompetes, tubas) em constante diálogo com as palhetas (clarinetos, requinta, saxofones) de uma orquestra de ritmos carnavalescos.

Acompanhando o seu andamento e fraseados, bem como os cantos e contracantos entre palhetas e metais, o passista (dançarino do frevo) cria, no ato, a sua coreografia própria, sem, contudo, agredir o que o compositor escreveu na pauta musical, segundo ensina Guerra-Peixe, “é a única dança que o dançarino dança a orquestração”.
 
O frevo tem tantos passos quanto a inventiva do passista permitir, desde que sua coreografia venha obedecer ao andamento da orquestração da partitura que está sendo executada pela orquestra ou banda de música.  
 
No passado, em 1976, em pesquisa realizada com os passistas “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), e Coruja (Arnaldo Francisco das Neves), este músico ritmista (pandeiro) e festejado passista do carnaval do Recife, relacionamos e catalogamos, em trabalho conjunto com a Prof. Jurandy Austermann, da Equipe do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco, 48 passos, sem contar com os do porta-estandarte, 21 dos quais foram detalhados na publicação Ritmos e Danças – Frevo 2, do mesmo Departamento(¹)
 
Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chá de bundinha”, “carrossel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”, “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida por Pracinha do Diario, chamada de “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”, “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.
 
O festejado escritor Mário de Andrade (1893-1945), em depoimento citado por Valdemar de Oliveira, referindo-se à coreografia do frevo instrumental sintetiza:
 
A vibração paroxística do frevo é realmente uma coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro allegro num presto nacional.  É, sem dúvida, o entusiasmo, a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música nacional. E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza! Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória que o país ignora, simplesmente porque entre nós são muito raros os que têm verdadeira convicção de cultura.(²)

Daí a afirmativa de Capiba, em um dos seus mais conhecidos frevos-canção:

Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém
É maracatu, não!
Mas podia ser.
É bumba-meu-boi, não!
Mas podia ser.
Não será o baião, não!
Mas podia ser,
É dança de roda
Quero ver dizer…
É uma dança
Que vai e que vem
Que mexe com a gente
É frevo, meu bem! (³)
 
Mas, para o folião endiabrado, aquele que vê no frevo uma válvula de escape do extravasamento de sua alegria, ou, como na receita de Luiz Bandeira, “quem é de fato um bom pernambucano, espera um ano e se mete na brincadeira”, ficam os versos do poeta Austro Costa:

Não sei se devo, ou não devo 
Dizer, mas digo afinal:
Se até Roma fosse o Frevo, 
Teria a Bênção Papal!
___________________
 1) DANTAS-SILVA, Leonardo. Ritmos e danças – Frevo. Recife: Governo do Estado de Pernambuco; MEC – FUNARTE, 1978. 44 p. il. Contém um disco com seis frevos-de-rua.
2) OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971.  p. 119.
3) CAPIBA. É frevo meu bem. Frevo-canção. Continental nº 16322 matriz 2426. Carmélia Alves, orquestra e coro, lançado em janeiro de 1951.

Leia alguns comentários sobre este texto na publicação do site Besta Fubana.

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