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A eterna cultura do caranguejo

Baseado numa reportagem do Jornal do Commercio, do dia 25 de novembro de 2013, sobre o lançamento do novo CD do maestro Spok, venho deixar minha opinião ao ler um texto que faz menção ao comportamento do público nesse evento, e a exaltação do frevo sem passo.

Qual o problema de alguém querer se mexer ou balançar o corpo quando ouve um frevo? Tem cada coisa sem sentido que se torna ridículo. Está parecendo existir um objetivo, um projeto intencional para dizer que é falta de respeito escutar uma canção de Spok se quisermos apenas mover os dedos. O que tem de mal nisso?

Cada folião ou espectador introjeta um frevo como quer, é pessoal, de sentimento próprio, aquilo que faz sua alegria arrebatá-lo. Se alguém sente vontade de sair da poltrona para fazer o passo ao ouvir um buliçoso repertório, é porque aquilo tocou seu íntimo, caso contrário, foi insuficiente para isso acontecer. E os pés, muitas vezes, é o sinalizador de sentimento na dança do frevo, é por eles que o folião demonstra sua emoção, seu êxtase. Por acaso querem estabelecer uma ditadura, impondo comportamento inerte em apresentações musicais? Querem europeizar ou americanizar nossos impulsos e as tradições mais legítimas do povo?

A reportagem, ao mesmo tempo em que macula a existência de um possível entusiasmo que a obra de Spok possa propiciar no espectador, ainda mete o pau indiretamente nas orquestras de rua. Qual a necessidade disso? Spok já num está em um estágio de aclamação suficiente? Precisa alguém deturpar o trabalho dos seus colegas dessa forma?
Não venham dizer depois que a intenção não foi essa e que estou tendo uma interpretação equivocada. Esta conversa há tempos vem sendo propagada, inclusive por um tal Zé da Flauta. Pra ele, o melhor frevo, o mais bem executado, é o de Spok. E sobre os dançarinos, se pudesse, suprimiria também a existência deles no passo.

Como entender o papel da imprensa e o grau ético de sua atuação com comportamentos iguais a esses? Profissionais de nome, usando seu trabalho pra dizer que a verdade é aquela que ele diz ser, tendo seus seguidores muitas vezes a mergulhar no seu "poder de fala", levando adiante um fato ilusório.
A grande luta é pela valorização do nosso ritmo, e a cada texto que tenta degradar esta condição, inviabiliza uma consciência cultural aceitável. Não estou querendo dizer que ocultar a ausência de qualidade de alguns trabalhos seja o mais recomendado para o frevo. Têm muito músico e orquestra ruins, limitados, com repertórios repetitivos, do mesmo modo, existem passistas sofríveis, gente que levanta o “pernão”, dá vinte carpados ou transforma sua dança em balé clássico, dizendo que é um show. E como diria o escritor Ariano, quem dá é galinha. Outros, estão num estado de autolatria tão extraordinário que chega a espantar. Mas isso é normal em todas as artes, e no frevo não seria diferente.

Ao mesmo tempo em que a reportagem exalta o "novo" trabalho de Spok, feito com esmero em estúdio, criado propositalmente com inspiração jazzística, não poderia insinuar que, àquele frevo das ruas, do povão, edificado sobre aspirações genuínas, só teria o merecido aplauso se virasse concerto e fosse produzido com a devida qualidade para ouvir sentado. Esquece-se que foi na rua onde Pernambuco estabeleceu seu nome. Foi ao observar as ruas que os grandes compositores escreveram suas páginas inesquecíveis. Foi mirando os foliões inebriados de felicidade que surgiu a inspiração e o estímulo para formação de músicos como Spok e outros.

Só quem assiste de perto, por exemplo, a orquestra do Maestro Oséas nos calçamentos consagrados de Olinda e Recife, pode sentir quão ritmo forte, pulsante e verdadeiro ainda sobrevive no nosso carnaval, parecendo entrar nas veias. São nos acordes e notas potentes daqueles bravos músicos que emana a real hegemonia do frevo. E é graças a esses briosos profissionais, comandados por seu maestro, que ainda mantemos um sopro de vivacidade no frevo orquestral. E digo, Oséas toca para qualquer gosto. Para quem quer ficar parado, em pé, sentado, deitado ou até mesmo com formigas nas entranhas. Se dependermos dos arranjos e sons amplificados, de sopros sutis e “perfeitos” de certos músicos, nossa folia se esvaecia, morreria, pois, suas bandas não têm a energia vital e nunca traduzirão o sentimento carnavalesco autêntico dos passistas e foliões de rua.

Admiro sim o trabalho de Spok, acho criativo, diferente. Agora, dizer que é uma novidade inserir elementos de culturas estabelecidas no mundo, como o jazz, no frevo, ou julgar adequado um comportamento ideal para determinado público, é simplesmente desvario e loucura de quem pouco sabe de carnaval e de sua musicalidade.

11 comentários:

  1. Admiro muito o trabalho de Spok e sou apaixonada pela Orquestra do Maestro Oséas e tantas outras que existem. Devemos, sempre, aproveitar esses momentos públicos para trabalhar a difusão do frevo. Não definindo se é esse ou é aquele o melhor ou a melhor maneira, mas sim no intuito de valorizar, preservar e expandir uma das maiores expressões culturais. Seja no estúdio, na praça, na escola, na agremiação, nas ruas, nos grupos de dança ou nas orquestras, o importante é o sentimento do povo, afinal o "ferver" vem do povo. Do povo que ama e se entrega, cada um sentindo da sua maneira, pois o frevo é música, é dança, é poesia, é símbolo de resistência cultural. E viva as pessoas que lutam para preservação do frevo sem distinção, sem desmerecer, sem julgar, sem limitar, sem tentar estabelecer regras de comportamento e principalmente sem elitizar algo que por sua natureza e história é um símbolo de resistência do povo pernambucano. Evoé!!!

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  2. O frevo é povo, o povo é agitação, alegria, dedicação e acima de tudo muito amor por este ritmo.
    Desde Capitão ZUZINHA até chegar em SPOK, tivemos inúmeros compositores e músicos.Uns melhores que os outros, porém, em nenhum momento tiveram acima do FREVO. E olhe que tivemos nomes renomados como: Nelson Ferreira, Capiba, Levino Ferreira, Guerra Peixe, Antonio Sapateiro,Juvenal Brasil, etc, etc...
    No dia em que eu ouvir um frevo, querer me mexer e não poder, me retiro de tal ambiente e buscarei o meu habitat de folião que é a RUA. Enquanto aqueles que me ignoraram, desculpe-me por eu ser um intruso. Espere aí! Neste caso o intruso não sou EU.Sou apenas mais um folião que se entrego de corpo e alma.Ao contrário de muitos profissionais que em nome do PODER faz de tudo para obter a tão almejada FAMA.
    Para um frevo ficar completo e perfeito é necessário a aprovação dos "Mestres das Ruas", ou melhor dos verdadeiros foliões.Pois sem eles não existia frevo e sem frevo o que seria de SPOK?....
    Evoé!!!!!!!!!!

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  3. NO BELÍSSIMO ESPETÁCULO JAZZÍSTICO. LÁ DISTANTE, SEM O TMBRE CARACTERÍSTICO ESTAVA O NOSSO FREVO. EM SE TRATANDO DE UMA APRESENTAÇÃO DO MAESTRO SPOK NÃO SERIA DIFERENTE. O ESTILO, A INDUMENTÁRIA, ATÉ A PÔSE LEMBRA DE PERTO O JAZZ AMERICANO, NÃO É MERA CONHECIDÊNCIA. FALTA A HUMILDADE DE ADMITIR QUE SE TRATA UM JAZZISTA INSPIRADO NO FRÊVO. A HISTÓRIA E SUAS TRADIÇÕES DE RUA ELE PODE ATÉ IGNORAR, MAS NÃO PODE DESMERECER OU SUBSTITUIR. SE NINGUÉM DANÇA. SE NINGUÉM VIBRA. NÃO É FRÊVO. FRÊVO QUER DIZER “FERVILHAR”, SERÁ QUE ALGUÉM TÉM DÚVIDAS DISSO? (GERALDO SILVA)

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  4. Lembrando que o espaço aqui é democrático e não para a forçação de opinião. O que o autor escreve não caracteriza a verdade. É só uma opinião. Nunca aqui, o politicamente correto é o mais interessante.

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  5. Tdenho o maior respeito por Spok e seu primo e sócio Gilberto Pontes, meus amigos de longa data. O seu trabalho musical é de altíssimo nível e isso ninguém de são juízo pode contestar. Contudo, faço aqui uma ressalva, não se pode confundir a idéia de Spok e Gilberto (sim, Giba tem um peso imenso em conjunto com Spok na formação dessa Orquestra e dessa proposta, podem conferir com o Maestro) de "jazzificação do frevo") com a simples, cristalina e centenária música popular pernambucana no seu mais íntimo e valoroso conteúdo que é, sem dúvida, O FREVO. O frevo original, vindo das bandas militares, da aceleração ritmica e do fraseado sincopado que foi adquirindo ao longo de mais de cem anos de execução.Como compositor de frevo, sinto-me obrigado a dizer (em voz alta, para todos entenderem claramente a minha posição): NÃO VAMOS CONFUNDIR JESUS COM GENÉSIO, PELO AMOR DE DEUS ! QUANDO EU QUISER OUVIR FREVO, DE VERDADE, TOCADO PELAS ORQUESTRA DE RUA E CURTIDO NO PASSO DO POVO, EU VOU PRAS RUAS DE OLINDA E DO RECIFE... QUANDO EU QUISER ESCUTAR E CURTIR O MELHOR JAZZ DO MUNDO, EU VOU -COMO ESTOU INDO AGORA EM DEZEMBRO- PRA SEATTLE, NEW ORLEANS, NEW YORK,..Dei pra entender, ou tá difícil?

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  6. Desulpem, Eduardo e amigos do Blog, mas na pressa em comentar, deixei passar uns erros de digitação. Segue o texto revisado.


    Tenho o maior respeito por Spok e seu primo e sócio Gilberto Pontes, meus amigos de longa data. O seu trabalho musical é de altíssimo nível e isso ninguém de um são juízo pode contestar. Contudo, faço aqui uma ressalva, não se pode confundir a idéia de Spok e Gilberto (sim, Giba tem um peso imenso em conjunto com Spok na formação dessa Orquestra e dessa proposta, de "jazzificação do frevo", podem conferir com o Maestro) com a simples, cristalina e centenária música popular pernambucana, no seu mais íntimo e valoroso conteúdo que é, sem dúvida, O FREVO. O frevo original, vindo das bandas militares, da aceleração rítmica e do fraseado sincopado que foi adquirindo ao longo de mais de cem anos de execução.
    Como compositor de frevo, sinto-me obrigado a dizer (em voz alta, para todos entenderem claramente a minha posição): NÃO VAMOS CONFUNDIR JESUS COM GENÉSIO, PELO AMOR DE DEUS ! QUANDO EU QUISER OUVIR FREVO, DE VERDADE, TOCADO PELAS ORQUESTRA DE RUA E CURTIDO NO PASSO DO POVO, EU VOU PRAS RUAS DE OLINDA E DO RECIFE... QUANDO EU QUISER ESCUTAR E CURTIR O MELHOR JAZZ DO MUNDO, EU VOU -COMO ESTOU INDO AGORA EM DEZEMBRO- PRA SEATTLE, NEW ORLEANS, NEW YORK,..Dei pra entender, ou tá difícil?

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  7. Sem sombras de dúvidas a qualidade da Spok Frevo Orquestra e seu Maestro são incontestáveis.
    Sou fã dessa Jazz Band, que toca nosso ritmo maior o FREVO, com maestria
    não deixando nada a dever aos irmãos do Mississipi. Agora, não podemos confundir o frevo de rua executado pela Spok Frevo Orquestra
    e uma orquestra de rua, pois uma toca para você ouvir e a outra para você dançar! Mais isso não quer dizer que eu não dançaria num show da Jazz Band pernambucana,
    até porque meu sangue "freve" quando ouço um frevo e também estou pra ver a pessoa que vai me impedir de dançar um frevo!

    Na rua é outra estória, tem energia, alma, calor, vibração, suor, tem o passo. Na rua se vive o frevo. Me sinto fazendo parte de um grupo de elite
    que adora essa manifestação cultural ao pé da letra. Infelizmente, a cada ano que passa não vejo investimentos em novas orquestras, é uma pena!
    Ainda bem que estou vivendo numa época que existe vivíssimo o Maestro Oséas. Evoé.

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  8. Talvez o grande músico Spok não esteja interessado em dar um basta nesta polêmica. "O Frevo é uno e indivisível, a música e o passo se fundem ..." palavras de nosso amigo Romildo De Carvalho Júnior. Ocorre que no novo CD vê-se perfeitamente que se trata da "Nova música Pernambucana". Influenciada pelo Jazz Americano. Tudo bem. Spok é ótimo, sabemos disto e sua música é perfeita. Gosto de escutar seu trabalho. O encontro com o frevo se faz nas batidas incostantes que impossibilita um dançarino executar o "passo". Voltando ao mérito: Se ele declarar que esta fazendo uma "nova música" casando o frevo ao jazz em belissimos arranjos dos cancioneiros brasileiros, todos ficaram conformados. E não se falará mais nisto. Repito, certamente não será interessante para ele o fim da polêmica. (GERALDO SILVA)

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  9. Gente, não é porque alguém encontrou o caminho para fazer o “sucesso” entre os críticos conceituados, que devemos engoli-lo. Quando quero escutar frevo, recorro aos grandes compositores e as orquestras de qualidade disponíveis em Cd, em raros LPs ou nas ruas históricas da cidade. Quando quero escutar o JAZZ autêntico, não vou atrás das imitações disfarçadas, vou ouvir os grandes nomes de SEATTLE, NEW ORLEANS, NEW YORK, como bem disse nosso caro Fred Monteiro.
    Querer dizer que uma arte é maravilhosa porque agrega valores e conceitos de outras culturas no seu gênero, é carência de povo sem personalidade e sem referência cultural. E o pior, dizer que isso é divulgação do frevo...

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  10. Bela discussão, ótimas ideias. Tão bonito entender que o Jazz e o Frevo possuem, de certa maneira, origem comuns. São filhos das encruzilhadas da vida dos "de fora" da sociedade, cresceram no mesmo tempo - século XIX e XX, cantam a alegria e a dor de viver de maneira mais simples. Diferem pois um é crescido em sociedade católica e espontânea e outro é nascido em um mundo reformado e contido. Com o tempo, o processo de circularidade cultural fez clássico e aristocrático o que é popular. Mas, tanto o frevo quanto o jazz podem ser ouvidos e ou dançados. Depende do ambiente. e se alguém quer dançar, que dance e escandalize, pois ambos são escândalos: ninguém esperava que os setores mais pobres da sociedade pudesse criar algo tão divino.

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