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União entre passistas, é possível?

Opinião.
Foto: Rafaela Cristina.
Fala-se muito da necessidade de ver um dia a tão esperada união entre os passistas de frevo, e que seria até um sonho para alguns assistir a este momento raro na cultura da cidade. Profissionais e amantes do ritmo estando unidos e defendendo em conjunto o seu universo artístico. Seria provável isso acontecer num breve espaço de tempo?
É possível enxergar de fato união entre os dançarinos do gênero quando ainda podemos vê-los emudecidos e inertes ao serem tratados como meros acessórios de adorno nas apresentações, explorados e monopolizados por diversas esferas do poder público, sem receber uma contrapartida justa pelo seu esforço e dedicação?
Será que união significa ir para a mesma festa, dançar juntos, vestir a mesma cor de roupa e se expor sorridente em várias “selfies”? União seria ainda, que todos aceitassem fulano ou sicrano como unanimidades, e que eles deveriam ser escolhidos como os mais novos Mestres do Frevo? Seria isso a coisa mais bem sacada e inteligente já realizada na dança pernambucana, transformar por carência pessoal ou por interesses escusos um instrutor ou passista em mestre popular? Ou seria puro oportunismo?

União é concordar que “o meu frevo é melhor do que o seu”? Que minha opinião e a minha coreografia são as mais modernas, e como tal, devem ser consideradas como as coisas mais criativas e inovadoras já vistas na terra? Ou quem sabe, que aquele espetáculo tão comentado já é ultrapassado e obra de gente velha e saudosista? Passistas que não dão mais de três carpados seguidos não poderão também ser julgados como tal?

União é repudiar expressões como “Chega de pinta”, insinuando homofobia, quando se queria apenas discutir a técnica do passista dentro do seu ambiente profissional? Críticas negativas e maldosas também são sinais do desejo de união?
Por outro lado, quem espera debater seriamente o seu universo artístico com falas substanciais e sem hipocrisia pode ser visto como um chato e desagregador do ritmo?

Pois bem, parece que para que a união aconteça, teríamos que demolir barreiras, entraves mentais, comportamentos egoístas e até preconceitos, baixando a bola de alguns pavões que se acham os verdadeiros “deuses do Olimpo”.

Acredito que quem sugere união não tem qualquer comprometimento com o objetivo exposto, nem hoje, e nem num passado recente, quiçá distante! Me digam uma coisa, união ocorreu quando o Mestre Nascimento do Passo estava à míngua, doente, tendo sofrido três AVCs, e estando abandonado pelos seus mais fiéis discípulos? Alguns deles, inclusive, tendo incriminado-o na justiça sem ter provas e por influências de outrem. União existiu quando o próprio mestre estava precisando de mantimentos básicos e de higiene pessoal, e muitos se negaram a ajudá-lo, e até mesmo a visitá-lo, nem que fosse para abrandar seu sofrimento? Com a exceção, claro, na época, de alguns poucos seguidores que tiveram a hombridade de fornecer o apoio necessário.

Para quem não sabe, grande parte dos passistas de frevo é extremamente individualista e egocentrista, e falo isso não no sentido do movimento e da técnica em dança, mas, do comportamento e ambição profissionais. Diversos deles, por exemplo, entram em grupos e companhias com a intenção apenas de passar um período e depois buscam novas oportunidades em outros espaços. Nada contra, claro, no entanto, existem certos principiantes que têm verdadeira obsessão por aparecer mais do que os seus colegas e por uma ideia fixa de se destacar como "bailarino" conceitual o mais rápido possível.
Outros, participam aqui e acolá de oficinas e "workshops", e logo em seguida, já se transformam em "professores com bagagem e experiência de profissionais capacitados", negligenciando etapas e deixando de lado valores e compromissos que caracterizam o trabalho em grupo que tanto traz contribuição para o frevo. Apoiar esses comportamentos é reflexo de quem deseja união no frevo? São exemplos como estes que enchemos o peito para cobrar união entre os passistas?

União não quer dizer estar colado, coexistindo em ambientes iguais ou com estilos semelhantes, mas, refere-se a um conjunto de falas, ideias e pensamentos comuns, com posicionamentos práticos e equivalentes a posturas sérias e íntegras pela valorização da classe, evitando discutir asneiras, fofocas e bobagens sem tamanho, diminuindo também o exibicionismo barato ao se jogar na frente de uma câmera de televisão, buscando a todo custo chamar a atenção, e tentando mostrar que é o passista mais talentoso, sem ao menos ter assimilado conceitos elementares desta dança.

Cabe a nós, detentores, professores, foliões, carnavalescos e amantes do frevo, lutarmos por menos vaidade e mais respeito. Batalhar para a criação de espaços dignos de atuação, resistindo com afinco para mantermos nossos trabalhos, projetos, e auxiliar aqueles que mais precisam dos nossos ensinamentos e apoio técnico. Sendo valorizados, sem que para isso, tenhamos que vender a nossa honra ao bajular esta ou aquela instituição, este ou aquele representante público de qualquer esfera. Nem tão pouco querer ser aquilo que não somos.

Poderíamos falar de união entre os passistas, ao promover discussões honestas sobre as metodologias e técnicas existentes no frevo, percorrendo caminhos possíveis para o fortalecimento desta arte, e não apenas para colocar no altar esse ou aquele dançarino "presunçoso", ou ainda, salvaguardar num museu aquilo que chama mais atenção da mídia, em detrimento daquilo que realmente precisa ser salvo e deve ser referenciado. Promover iniciativas comprometidas e de responsabilidade, visando as novas gerações de pernambucanos que herdarão o legado de riquezas artísticas e culturais. Cobrando ações efetivas dos poderes públicos, e não fazendo média com políticos com a intenção de angariar algum privilégio ou cargo comissionado na gestão do partido.

União deve acontecer através do estimulo dado aos passistas para seguirem em diversas direções e possibilidades, buscando infinitos resultados. Respeitando as singularidades, as diferenças, os gostos, os gestos e opiniões, porém, sem nunca aceitar a mediocridade como forma de atuação.

Nós dos Guerreiros do Passo, nos colocamos sempre à disposição para debater qualquer questão e temática sobre a dança do frevo. Nossa intenção é, e sempre foi, pensar, avaliar e validar o ritmo dentro de uma esfera artística, e, principalmente, política, porque acreditamos que o frevo não é oba-oba, mera brincadeira ou carnaval somente; é preciso pensar em ações que visem sua estada enquanto produto artístico-cultural, seus meios de produção, divulgação e ressignificação do seu patrimônio artístico imaterial. Fomentando mecanismos de sobrevivência dos seus reais fazedores, não só passistas, mas, todo e qualquer segmento que atue nessa ramificação da cultura pernambucana. Procurar exaltar o passado e a história dos seus precursores, conservando nos dias de hoje e para o futuro, a luta que inspira e mantém acessa a luz de sua existência.
Viva o frevo!

Eduardo Araújo
Radialista, fundador e coordenador dos Guerreiros do Passo

2 comentários:

  1. Na vida nem tudo são flores... Divergências deve ser bem aceita desde que haja uma base sólida e lógica a determinado tema e que fique apenas no campo das ideias e nunca no âmbito pessoal. Porém o que se observa em muitas pessoas é falta de capacidade racional de elaborar suas ideias em forma de palavras. Em contra partida, se apoderam de alguma opinião indagada por um dos "seus" ou mesmo de algum desafeto, provando a sua incapacidade de propor um tema e se omitindo ao diálogo, preferem apenas ler, "interpretar" de sua forma e muitas vezes boicotá de maneira negativa aquilo que toca na sua ferida que por circunstâncias do tempo virou uma enfermidade crônica. Aí começam a gritar com sua dor espalhando falsas afirmações e destorcendo os fatos entre aqueles que por algum motivo não buscam a leitura como hábito e nem buscam experiências dos mais velhos,tornam-se uma presa fácil e servirá de analgésico para minimizar a dor do enfermo cultural. É aí que entra o manipulador de opinião sem que você perceba que está sendo usado. Você até pode pensar que eu também sou um destes. Mas quero deixar bem claro que milito no frevo de forma espontânea há mais de quarenta anos. Nunca quis saber de grupo de frevo até conhecer Os Guerreiros do Passo.Hoje, me sinto na obrigação de me inteirar de informações ligada ao ritmo. Já em relação a UNIÃO entre passistas é um capítulo a parte, porém está muito longe disso acontecer pelo simples fato de cada um ter um rei na barriga e juntando todos não dá um minutinho de um dia de momo. A bendita união muitas vezes é rompida dentro de um mesmo grupo, imaginem o que não acontecem com grupos diferentes?... Não quero aqui dizer que outros passistas de outros grupos são meus inimigos, longe disso! O que estou afirmando é que enquanto grupo zelo pelo bem estar do mesmo.E como folião serei sempre um vigilante ativo do ritmo.Vivo em aprendizado constante com aqueles que passam dicas e informações sobre o frevo. Não me contenta e nem me interessa saber que fotos e vídeos vai me dá notoriedade perante os demais. O que me contenta mesmo é ser matéria prima da cultura do frevo e não do "mercado do frevo".
    Laércio Olimpio

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  2. Boa reflexão, Eduardo. É fácil dizer que se preocupa e deseja a união dos passistas, qdo a ideia que se tem disso é apenas postar uma foto nas redes sociais, na prática, “narciso acha feio o que não é espelho... “ É preciso que se ultrapasse os limites do ego para se chegar a um encontro real entre os desejosos pela tão sonhada união, senão mesmo estando juntos, serão apenas ilhas, mas nunca arquipélago.... Mas a título de buscar acrescentar na discussão, entendo que a consciência de classe é de fundamental importância, o entendimento de que atuar em qualquer área do frevo é algo político tem que estar claro, não adianta está todo mundo junto, sem uma intenção política, sem um objetivo comum, o que não quer dizer, tornar ou nivelar todo mundo por baixo, por cima ou muito menos, distinguir e/ou classificar determinados passistas através de títulos forjados seja com que intuito for... União no frevo, tá aí um bom tema para se debater em fóruns e instituições, mas é mais fácil inventar a roda, do que falar de coisas que afetam e cortam na carne do dia a dia dos passistas, que de tão alegres e serelepes, nem sabem que são uma categoria e que podem compartilhar seus desejos, ideias e insatisfações em busca de melhorias para si e para sua arte... E falando em arte, ora, dentro de seu universo, nós, todos unidos ou não, estamos quase em seu submundo, das quatro grandes linguagens, a dança é citada por último, quando não esquecida, e dentro dela, somos o segmento mais discriminado e invisibilizado: a Dança Popular... Ah, o quê? O que é isso mesmo? Ah, é aquilo que acontece nas escolas no mês de agosto, né? Folclore, coisa do passado, né? Ah, mas que exótico, você dança frevo? E você trabalha em quê? Vive de quê? E isso dá dinheiro??? Todos nós, com certeza em algum momento já nos sentimos um extraterrestre apenas por cultuar e sermos apaixonados por nossa cultura, inclusive dentro da nossa própria família, nas escolas, os professores lhe veem como a louca do kisuki, que só vive pensando em carnaval, não sabem eles, e até alguns entre nós, que frevo não é carnaval, nem brincadeira. Frevo é política! Política de atuação, de fomento, de salvaguarda, política e trincheira de guerra, uma guerra saudável em busca de recolhimento, de legitimidade, de visibilidade em todas as esferas sociais... Enfim, se formos tecer comentários, dá panos pras mangas, mas a título de voltar ao assunto, dá pra todo mundo ser e estar no céu do frevo, a individualidade e o pluralismo são as riquezas dessa manifestação, só não dá, meu bem, pra ser hipócrita.

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