News - Praça do Hipódromo volta a receber as aulas do Projeto Frevo na Praça. / Camisas com a marca do grupo estão à venda por R$30 reais. / Site dos Guerreiros ultrapassa 285 mil visitas. / VOCÊ GOSTOU DO SITE? JÁ PARTICIPOU DE ALGUMA ATIVIDADE NOSSA? TEM ALGUMA SUGESTÃO? COMENTE, MANDE SUA MENSAGEM POR E-MAIL OU PELAS REDES SOCIAIS. DÊ SUA OPINIÃO E NOS AJUDE A APRIMORAR NOSSAS AÇÕES COM O FREVO. CERTAMENTE ISSO NOS AJUDARÁ BASTANTE A ENRIQUECER TODO O TRABALHO. OBRIGADO!

Reportagens






Publicado em 14 de maio de 2016.
FREVO:
aqui é que eu faço, com desembaraço!
YURI ASSIS
ESPECIAL PARA A FOLHA
Repensar uma tradição é uma forma de preservá-la. O frevo, este patrimônio imaterial tão definidor da identidade de Pernambuco, está sendo resgatado por meio de outros vieses, que, ao invés de lhe tirarem o caráter, comprovam seu potencial plástico. Plasticidade que já se encontra presente desde sua raiz: o frevo, enquanto música, nasceu de marchas, maxixes, dobrados e polcas. Enquanto dança, surgiu a partir dos grupos de capoeiristas que acompanhavam os desfiles dos agrupamentos militares, protótipos dos blocos atuais. O museu Paço do Frevo, no Bairro do Recife, é um dos expoentes que assumem essa missão, com o apoio fundamental de Daniela Santos, coordenadora de Dança do espaço cultural, que é fluminense, formada pela Faculdade Angel Vianna,mas reside em Pernambuco há nove anos. Oficinas como frevo Pilates e frevo improviso buscam ensinar os passos típicos, a partir do corpo que dança. “Aqui na aula, dizemos que quanto mais estranho, mais esquisito, melhor. Ao invés de haver um professor ensinando apenas passos codificados, buscamos a descoberta de uma poética pessoal. Cada corpo tem sua facilidade, seu jeito, sua forma. Queremos que o aluno traga sua experiência”, destaca Otávio Bastos, passista de frevo e também professor das aulas de improvisação no Paço. Nesse processo de reviver o frevo, Otávio o emprega como uma técnica, elevando-o ao status da dança contemporânea, caracterizada por ser um campo de experimentação. Para tanto, já está ensaiando o espetáculo “Carnaval a Dois”, que será apresentado para uma pessoa apenas, durante cinco minutos, em uma sala escura, com uma música diferente da que embala os passos do frevo. No espetáculo “Para: Francisco”, o passista cria uma dança a partir de cartas endereçadas para Nascimento do Passo (1936-2009). O dançarino, que foi seu mestre no ritmo, é merecedor dos créditos sobre muito do que existe no ensino do frevo atualmente, sendo criador da Escola Recreativa de Frevo Nascimento do Passo, fundada em sua casa no Ibura, em 1973. O frevo Pilates aproveita o Pilates, técnica de condicionamento físico criada na Alemanha por Joseph Pilates, como base para preparar o corpo da pessoa que deseja frevar. “A ideia é propor uma maior consciência corporal para o passista, a fim de que ele leve os conceitos do Pilates para a dança”, explica o professor Jefferson Figueiredo, bailarino de formação clássica, que iniciou a carreira na dança também como passista.
Guerreiros

“Sempre existiu uma visão de que o frevo é algo muito acrobático. Nosso objetivo é desmitificar e realizar uma democratização do frevo”, conta Eduardo Araújo, um dos idealizadores dos Guerreiros do Passo, grupo que ensina a técnica do mestre Nascimento do Passo de forma gratuita ao ar livre, na praça do Hipódromo, na Zona Norte do Recife. O método é composto por 40 movimentos iniciais, que vão se incrementando à medida que o aluno domina os passos. Eduardo ainda chama atenção para o fato de a dança estar saindo do âmbito do carnaval e ganhando o cotidiano do cidadão. As aulas ocorrem às quartas-feiras, a partir das 19h, e aos sábados, a partir das 15h. Dentro dessa proposta de criação a partir do frevo, o grupo oferece oficinas de criação artística que pensam o improviso a partir dos elementos tradicionais. “A ideia é criar uma forma pessoal de dançar o frevo e fazer do passista, um pensante”, conta Eduardo. Outra atividade é o Laboratório do Frevo, que tem o objetivo de pesquisar movimentos do frevo que foram esquecidos ou são pouco praticados. “Queremos tornar esse movimento vivo, para que as pessoas levem esses passos para o carnaval e para as festas”, explica. Pião, alicate, canguru, coice de cavalo, cortando jaca, corta-capim, enxada e chave de cano são alguns dos passos resgatados pelo projeto.
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Publicado em 04 de fevereiro de 2016.
Carnaval 2016
O grupo Guerreiros do Passo, de Recife, é formado por passistas que trazem o frevo em sua forma original com muita coreografia e um figurino que lembra os passistas no início do frevo, nas décadas de 40 e 50. Baseados na coreografia do famoso passista Nascimento do Passo, o grupo faz aquecimento para o desfile pelas ruas da cidade com o bloco Escuta Levino.
Fonte: Site UOL.

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Caderno VIVER
Carnaval 2016: Passistas já usaram faca e até guarda-chuvas, sabia?
O trabalho de pesquisadores e de grupos cênicos como os Guerreiros do Passo ajudam a compreender o passado do frevo e do comportamento durante os dias de festa.
Por: Fellipe Torres - Diario de Pernambuco 
Publicado em: 31/01/2016.
O carnaval de Pernambuco nem sempre foi tão multicolorido quanto vemos hoje, com passistas saltitantes, vestidos com roupas chamativas e sombrinhas em punho. O acessório, aliás, foi originalmente pensado para crianças, e apropriado pelos dançarinos somente com o surgimento dos concursos de frevo realizados por emissoras de televisão, na década de 1960.

Até então, as roupas adequadas para cair no passo (todos se consideravam, de algum modo, passistas) eram quase monocromáticas. Um dos registros mais emblemáticos da folia de antigamente são as imagens feitas pelo fotografo francês Pierre Verger, no Recife de 1947. Essa atmosfera é recuperada pelo grupo de artes cênicas Guerreiros do Passo em diversas apresentações, muitas delas ao ar livre.

Com 11 anos de existência, a trupe se baseou em farto material de pesquisa para compor a frevança retrô. “Mergulhamos em diversos elementos, desde a textura do tecido das roupas até os estereótipos da época, mas vamos além do figurino. Todos os movimentos remetem a um outro período, quando não se dançava como hoje. Era um frevo acrobático mas sem a plástica atual, era muito mais pé no chão”, diz o pesquisador, coreógrafo e coordenador do grupo, Eduardo Araújo. Veja, abaixo, a diferença entre os passistas de antigamente e os contemporâneos, e conheça dois elementos comuns nos carnavais de outrora, mas proibidos nos de hoje.

+passista de raiz
roupa comum
Nas décadas de 1940 e 1950, diz o pesquisador Eduardo Araújo, não existia a figura do passista profissional. Pessoas comuns desfilavam pelas ruas com as roupas do cotidiano. “Ao largar do trabalho, a pessoa já caía no passo, fazendo o molejo. Logo se misturava a um monte de malandros e bêbados que, depois de um gole de cachaça inventava novos passos de dança”. O mais comum era o uso de roupas claras. Segundo o historiador Leonardo Dantas Silva, era raro o uso de adereços. “Quando observamos fotos da época, como as feitas por Pierre Verger, vemos homens geralmente vestidos de paletó e suspensório, com roupas de mulher ou então fantasias muito simples. Já nos bailes, o folião estava melhor trajado. Os homens vestidos a rigor, geralmente com traje summer – smoking com paletó branco, calça preta e gravata borboleta”.

guarda-chuva
A principal função do guarda-chuva ou sombrinha era se proteger do sol escaldante. Contudo, ajudava também no equilíbrio do folião na hora de executar os passos de frevo e, para quem estava à procura de briga, servia como arma. Capoeiristas e integrantes de clubes rivais usavam guarda-chuvas velhos e esfarrapados (geralmente grandes e pontiagudos) para golpear e se defender.  “Além de o guarda-chuva ser um componente comum da indumentária, há também a questão da herança afro. Os negros sempre gostaram de usar o guarda-sol, talvez inspirados nos sobas africanos, que saíam aparados por um zumbi que protegia o rei do maracatu”, acrescenta Dantas.
chapéu
Assim como o guarda-chuva, chapéus grandes eram muito usados para se proteger do sol.
passista contemporâneo
sombrinha
Conforme foi se tornando característico do carnaval, uma empresa chamada Casa Bastos , localizada na rua da Indústria, nas proximidades do Pátio de São Pedro, criou sombrinha pequena e colorida para crianças.

vestes coloridas
“Com o surgimento da televisão, na década de 1960, apareceram concursos de passistas, que passaram a utilizar a indumentária colorida que conhecemos até hoje. Eles também se apropriaram da sombrinha, pois com ela era mais fácil de fazer passos e acrobacias aéreas”, explica Leonardo Dantas. 

proibidões
a pernambucana
Antigamente, um tipo de faca de ponta muito comum, conhecida como “a pernambucana” fazia parte da vestimenta de qualquer homem de família. Debaixo da axila, junto ao colete, andava-se com a faca cheia de gravações em ouro e pedras semipreciosas. Em modelo mais modesto, era também a arma do malandro que, ao invés de ameaçar as inimizades com navalha, típica do Rio de Janeiro, usava a tal faca, diferente da peixeira ou do punhal pelo tipo de lâmina. A arma branca inspirou frevo composto por João Valença que dizia: “meto-lhe  a pernambucana/ E sangro no pé da goela”.

lança-perfume
Surgiu no carnaval em 1904, no Rio de Janeiro, e logo se espalhou pelos festejos em todo o Brasil. Inicialmente, o produto era importado da Argentina, até que a empresa Rhodia abriu, na década de 1920, uma fábrica em São Bernardo do Campo, São Paulo. Era usado principalmente para perfumar os salões e esguichar os outros foliões, causando sensação de congelamento. Contudo, passou a ser cada vez mais inalado, até ser proibido, na década de 1960.
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Cursos de frevo ensinam o folião a cair no passo até o Carnaval 
Grupos e instituições em Recife e Olinda oferecem aulas para todos os níveis de habilidade
Por: Viver/Diario de Pernambuco 
Publicado em: 05/01/2016
O ano começa, o Carnaval se aproxima e, para muita gente, essa é a hora perfeita para tentar aprender alguns passos do frevo. A música que “entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé” começa a tomar as casas e as ruas de Recife e Olinda e, para não deixar os foliões apenas como espectadores, vários grupos ou escolas passam a oferecer aulas da dança - em sua maioria gratuitas. O Viver indica alguns locais para a prática do frevo que possa acolher tanto crianças como adultos, em vários dias e horários. Confira:
GUERREIROS DO PASSO
Os Guerreiros do Passo adotaram a metodologia de Nascimento do Passo (1936-2009), passista notável que foi professor dos integrantes na Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges, mantida até hoje pela Prefeitura do Recife. O grupo, com cinco integrantes, faz apresentações e também se dedica a repassar seu conhecimento com aulas gratuitas que voltam a acontecer no próximo sábado (9), após as festas de fim de ano. São dois dias dedicados ao ensino do ‘passo’: quartas, das 19h às 21h e sábados, das 15h às 17h, na Praça do Hipódromo. São aceitos alunos de todos os níveis. No próximo domingo (10), o coletivo se apresenta na Manhã de Sol do Bloco da Saudade, às 11h, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB).

A pesquisa do coletivo engloba desde os movimentos dos primórdios do ritmo até a atualidade. A atuação dos capoeiras no Recife do início do século XX e o acompanhamento musical realizado por dobrados e maxixes foram algumas das fontes de pesquisa. O figurino também segue a mesma linha, dispensando as roupas e acessórios estilizados dos passistas de hoje e resgata o vestuário dos primórdios do frevo, quando os foliões dançavam com roupas comuns.
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COTIDIANO
Recife, 23 de janeiro de 2015. 
Aula de frevo gratuita no Recife
Algumas escolas promovem o curso para pessoas de várias idades, ensinando os passos para todos os carnavais. 
Outro grupo que dá aulas gratuitas de frevo é o Guerreiros do Passo. Há dez anos, a equipe funciona duas vezes na semana, às terças-feiras e aos sábados, quando oferecem os ensinamentos da dança no meio da praça do Hipódromo, no bairro do mesmo nome, também na Zona Norte da Capital. Quem quiser chegar e dançar, pode se sentir à vontade para participar da folia. Apesar do clima de descontração, a metodologia é séria. O Guerreiros do Passo utiliza os ensinamentos de um famoso passista, Nascimento do Passo, e configura-se como um grupo de estudos, pesquisas e ações sobre a dança do frevo.
É uma ação sociocultural ligada diretamente a Troça Carnavalesca Mista O Indecente, fundada no ano 2000. O projeto recebe apoio do Funcultura, que auxilia na manutenção dos equipamentos e demandas necessárias do grupo. Segundo o diretor do Guerreiros do
Passo, Eduardo Araújo, todo dia de aula é uma atração. “As pessoas levam cadeiras, chamam a família e ficam na praça nos assistindo. Torna-se, também, uma atração musical”, contou.
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Caderno VIVER
Casa nova para o frevo
Por: Isabelle Barros
Publicado em: 03/01/2015
A ansiedade pelo carnaval é um sentimento que pulsa na maioria dos pernambucanos tão logo começa janeiro. No entanto, há grupos que transcendem o caráter sazonal da festa e se dedicam a resgatar aspectos dela durante o ano inteiro. Um deles é o Guerreiros do Passo, que completa dez anos de ensino da dança do frevo em 2015. O coletivo que fez palco - e sala de aula - na rua entra em um novo ciclo a partir de agora, com a aquisição de uma sede própria no bairro do Hipódromo, na Zona Norte do Recife.

A casa em frente à Praça do Hipódromo, que custou R$ 110 mil e foi comprada com recursos próprios, reflete também uma demanda reprimida no Recife, segundo um dos integrantes do grupo, Eduardo Araújo. “O Paço do Frevo, por exemplo, é um espaço maravilhoso, mas não dá conta da demanda por aulas. Também pretendemos disponibilizar o local para outros coletivos ensaiarem, pois este é um gargalo antigo da capital pernambucana”, afirma.

Atualmente, as aulas atraem cerca de 30 alunos, inclusive estrangeiros, que querem frevar. O grupo também desenvolve um projeto de resgate de antigos passos do frevo, para que eles não caiam no esquecimento e sirvam de material de pesquisa para outros dançarinos. Já a casa onde fica o acervo será reformada e adequada para as atividades.

“Continuaremos dando aulas gratuitas na Praça do Hipódromo, como já fazemos, mas agora teremos um local para fazermos nosso planejamento estratégico, manter o acervo e disponibilizar nosso material para pesquisadores. Também queremos celebrar parcerias com pessoas e instituições para ajudar a manter as atividades da nossa sede”, detalha Eduardo.

O Guerreiros do Passo tem cinco integrantes e professores que se revezam nas aulas, ministradas às quartas-feiras, às 19h, e aos sábados, às 15h, na Praça do Hipódromo: Eduardo Araújo, Gil Silva, Valdemiro Neto, Lucélia Albuquerque e Ricardo Napoleão.
Todos eles foram discípulos de Nascimento do Passo, dançarino e professor de frevo que se tornou símbolo do ritmo em Pernambuco e pioneiro na sistematização dos passos do da dança. Ele fundou, em 1973, a Escola Recreativa Nascimento do Passo, além de lutar pela criação da Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges, inaugurada em 2006, e mantida pela Prefeitura do Recife.

Além da escola Maestro Fernando Borges, do Paço do Frevo, e do próprio Guerreiros do Passo, o Balé Popular do Recife, na Boa Vista, e o grupo Brincantes das Ladeiras, na Praça Laura Nigro, no Sítio Histórico de Olinda, são outras opções para frevar. Para colocar em prática o aprendizado, o Guerreiros do Passo mantém ainda a Troça Carnavalesca Mista O Inocente, que sai durante o carnaval.

No passo
Academia

O frevo motiva pesquisas artísticas e acadêmicas. Entre as profissionais envolvidas com o tema estão a bailarina, cantora e atriz Flaira Ferro, professora do Instituto Brincante, em São Paulo, e Valéria Vicente, dançarina, pesquisadora e professora do departamento de Artes Cênicas da UFPB. As duas também se uniram no projeto Frevo de casa.
Método
O Guerreiros do Passo adotou a metodologia de Nascimento do Passo (1936-2009). A intenção, segundo Eduardo Araújo, era não deixar que o ritmo caísse em desuso. “Para facilitar o aprendizado, Nascimento agrupou movimentos em famílias de passos, criando 40 movimentos básicos. A partir daí, o passista arrisca para coisas mais difíceis”

Espetáculo
O grupo criou, em 2006, o espetáculo homônimo Guerreiros do passo, que antecipava as homenagens ao centenário do frevo, comemorado em 2007, e que está no repertório até hoje. A pesquisa do coletivo engloba desde os movimentos dos primórdios do ritmo até a atualidade. A primeira apresentação do coletivo em 2015 será na Manhã de Sol, do Bloco da Saudade, no dia 11 de janeiro, às 11h, na AABB Recife, nos Aflitos.
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Site Na Ponta do Pé - 27 de fevereiro de 2013

Dança popular / Notícias
Apesar da falta de incentivo e destaque além do carnaval do ritmo que é a cara de Pernambuco, o frevo consegue manter-se vivo o ano inteiro com grupo que realiza oficinas gratuitas semanalmente  
Faz ferver as ruas de Pernambuco no carnaval. Mas é além da Folia de Momo que o frevo segue inspirando novos passos de bailarinos e apaixonadas por essa dança popular. Sim, o estilo é centenário, ganhou recentemente, em dezembro do ano passado, o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Em 2007, já havia sido reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Apesar dos títulos, o frevo só ganha destaque uma única vez ao ano e opiniões divergem quando o assunto se o estilo se perdeu no tempo. Mas, para mostrar que ele ainda vem conquistando novos adeptos além de fevereiro, Na Ponta do PÉ foi atrás de uma turma que não perde o passo em nenhum mês do calendário.
São os Guerreiros do Passo, que promovem oficina gratuita de frevo e danças populares, desde 2005. Para o professor Eduardo Araújo, um dos idealizadores do projeto, já que o estilo nasceu na rua, é importante mantê-lo vivo em locais abertos. “Por isso a ideia de trazer o frevo para a praça, permitindo maior interatividade entre as pessoas”. Assim, o grupo realiza aulas abertas ao público todos os sábados, iniciando nova temporada a partir do próximo (02), das 15h às 19h, além de estrear nas quartas à noite.
Tendo os ensinamentos do mestre Nascimento do Passo como referência, Eduardo conta que o grupo preza pelo estímulo da dança improvisada, sem “robotiza-la”. “Frevo é uma dança pessoal, onde cada um coloca sua particularidade. Por isso, realizamos as ‘rodas’ durante as oficinas para cada um soltar sua inspiração e colocar sua personalidade”, esclarece. Segundo o professor, qualquer pessoa pode dançar o frevo.
“Mesmo com seus passos complexos, é importante lembrar que são centenas de passos e ninguém deve se sentir intimidado pensando que o frevo não é para ela”, explica Eduardo. E para o bailarino e estudante de dança da UFPE Edson Vougue, que desde 2010, participa do grupo, o que mais o atrai no frevo é a espontaneidade. “Acredito que ele sempre se reinventa, apesar de haver uma resistência enquanto a isso”.

MAIS SOBRE O FREVO - De acordo com a inscrição no livro de registros do Iphan, o frevo “é uma forma de expressão musical, coreográfica e poética, enraizada no Recife e em Olinda, no estado de Pernambuco. Trata-se de um gênero musical urbano que surgiu no final do século 19, no carnaval, em um momento de transição e efervescência social como uma forma de expressão popular nessas cidades”.
Segundo o instituto, a origem do frevo é apontada no entrudo, brincadeira portuguesa trazida para o Brasil colonial, que compreendia gracejos e peças entre amigos, e o uso de limas-de-cheiro, que eram jogados por grupos ou individualmente. O estilo tem influência também da capoeira, tendo a sombrinha, como uma espécie de arma branca disfarçada. Com a evolução, acessório terminou sendo fundamental para a execução dos passos mais ousados, além de ajudar no equilíbrio.

FONTE: http://www.napontadope.com/o-passo-guerreiro/
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Jornal do Commercio - CIDADES - Quinta-feira, 22 de novembro de 2012
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Folha de Pernambuco - Grande Recife - 22/01/2012
Frevo é disseminado nos quatro cantos
É entre o canto dos pássaros, de crianças brincando e das conversas postas em dia que a resistência de um grupo de dança vem sendo conquistada ao longo dos últimos sete anos. Dependentes, apenas, da própria devoção ao frevo os integrantes dos Guerreiros do Passo transformam a praça Tertuliano Feitosa, no bairro do Hipódromo, Zona Norte do Recife, em um grande palco a céu aberto. A metodologia de ensino repassada aos alunos é baseada no método do passista Nascimento do Passo que sistematizou, no final do século passado, 40 movimentos diferentes para facilitar o aprendizado da dança. "O projeto tem promovido o resgate das tradições populares, valorizando a identidade local e permitindo a democratização e ocupação do espaço público. Além do frevo, os professores repassam o maracatu, ciranda, coco, cavalo-marinho, afoxé e caboclinho", explicou o coordenador, Eduardo Araújo. O projeto recebe doações de sombrinhas quebradas ou de materiais que sirvam para reciclar transformar em um novo instrumento.

O estudante João Lucas, 8 anos, se encantou quando viu o ritmo pernambucano sendo ensaiado na praça, bem perto de onde mora. “Decidi dançar porque tive a oportunidade de aprender aqui. Gosto de tudo no frevo”, contou. E apesar da pouca idade já sustenta o título de bicampeão pré-mirim do concurso de passista da Capital.  As práticas acontecem durante todo o ano sempre aos sábados, às 15h, gratuitamente. Também de graça são as aulas que acontecem de segunda à sexta das 5h30 às 8h 30 e das 17h às 20h nos 25 polos da Academia da Cidade. 
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Revista Let's GO Pernambuco
Ano 1 - Nº 7
RITMO EM MOVIMENTO
Bailarinos lutam para manter o frevo como cultura viva. Para isso, fazem releituras da manifestação.

Por Conceição Ricarte
Fotos Carlos Vieira
A primeira coisa que caracteriza o frevo é ser, não uma dança coletiva, de um grupo, um cordão, um cortejo, mas da multidão mesmo, já que a ele aderem todos que o ouvem, como se por todos passassem uma corrente eletrizante. De acordo com o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa, a palavra frevo, corruptela de “ferver”, significa “efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas como pelo carnaval”.
O ritmo dos metais, uma marcha de ritmo sincopado, violento e frenético, é acompanhado pela multidão, que ferve e ondula nos meneios da dança.

O coreógrafo, pesquisador e professor de frevo Eduardo Araújo tem 36 anos, e aderiu ao ritmo há 20. “Comecei a ter aulas na Escola Municipal de Frevo do Recife, com o mestre Nascimento do Passo (criador da escola e famoso passista, cujo nome de batismo era Francisco do Nascimento Filho. Ele faleceu em 2009, vítima de câncer)”, conta.
“Minha vida se transformou. Passei a viver o frevo e de frevo”, afirma. Ele explica que, como dança, o frevo tem origem nos capoeiras que vinham à frente das bandas, exibindo-se e praticando a capoeira no intuito de intimidar os grupos rivais.
O passo é a dança que se dança com o frevo. “Mas eles não foram os únicos. Os bêbados, desordeiros e prostitutas, quando estavam na folia, embriagados de cachaça, também criavam passos”, relata.
“Os membros de agremiações ligadas a associações de trabalhadores, como lenhadores, ferreiros e varredores de rua, também criavam movimentos e acabavam por batizá-los com nomes como Tesoura, Dobradiça, Ferrolho”. Quando Nascimento do Passo foi afastado das funções de professor da escola, Eduardo se uniu a quatro amigos para dar continuidade aos ensinamentos do mestre. E assim surgiu o projeto Guerreiros do Passo, que dá aulas de frevo todos os sábados, a partir das 15h na Praça Tertuliano Feitosa, mais conhecida como Praça do Hipódromo, no Recife.
“Só paramos durante a quaresma e no período de chuva, em junho, julho”, garante. O grupo, formado por cinco professores, conta com aproximadamente 25 alunos. “Mas quem quiser é só chegar, as aulas são grátis”, diz o professor e idealizador do Guerreiros. Alunos e professores já se apresentaram em eventos como o Festival Internacional de Dança do Recife, Mostra Brasileira de Dança e Festival de Inverno de Garanhuns. Antes, o projeto mantinha em outras duas comunidades as aulas, mas por falta de apoio, os trabalhos ficaram restritos apenas à praça.

A iniciativa não está ligada a nenhum incentivo institucional público ou privado, sua manutenção é feita pelos professores que arcam com todas as despesas do trabalho. “Procuramos conseguir todas as formas de apoio público para nossas aulas, mas é difícil”, diz Araújo. “O frevo é patrimônio imaterial brasileiro desde 2007”, argumenta.
Além de lutar para manter as aulas, o grupo busca preservar uma das características mais fortes do ritmo desde seu surgimento: o improviso. “Está havendo uma padronização da dança, todo mundo faz os mesmos passos, do mesmo jeito. As apresentações são todas iguais. Nossos alunos aprendem a interpretar os movimentos de uma forma pessoal, sem engessamento”. O Guerreiros volta às origens dessa dança que é a mais característica do Recife, e já possui 104 anos, em outros dois aspectos: a sombrinha e o figurino.

Evolução da Sombrinha
Elemento complementar da dança, a sombrinha é símbolo do frevo e auxilia os passistas em suas acrobacias. Em sua origem, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de tê-la na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.
Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas foram sendo transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.
“Desde o Frevo (espetáculo montado pelo grupo em 2006, que mostra a história do frevo) começamos a usar guarda-chuvas no lugar de sombrinhas. Acabamos nos acostumando, e retomamos seu uso na nossa dança”, fala Eduardo. No lugar das roupas coloridas do cetim, trajes dos anos 40 e 50.
“Nessas décadas, as pessoas saiam do trabalho e iam para a rua brincar o carnaval. Queremos mostrar que não é preciso nenhuma roupa especial nem nada do tipo para dançar frevo, basta querer”.
Confira a versão eletrônica da Revista clicando aqui.
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Jornal do Commercio - Caderno C - Recife, 22 de outubro de 2011 - Sábado.
Guerreiros do frevo mantém a tradição
FESTIVAL DE DANÇA - Grupo ensina passos que ficaram perdidos na história ou que são difíceis de fazer no Projeto Frevo na Praça
A Praça do Hipódromo, a partir de hoje, é a casa do Laboratório do Passo, ação que visa preservar antigos passos do frevo que estão esquecidos ou são dançados por poucas pessoas atualmente. A iniciativa é do grupo Guerreiros do Passo e a estreia, às 15h, entrou na programação do 16º Festival Internacional de Dança do Recife (FIDR).
"Esta é uma ação dentro do projeto Frevo na Praça, que a gente realiza durante o ano todo. Ela vai acontecer uma vez por mês e visa colocar em prática novamente movimentos do frevo que ficaram perdidos durante a história ou que são realizados por poucos passistas. A ideia é colocar esses conhecimentos em prática", afirmou Eduardo Araújo, integrante do Guerreiros do Passo.
O convidado do primeiro encontro é o professor e passista Ramos Frevo. "Nossa intenção é possibilitar um encontro, aproximar passistas, foliões e carnavalescos e tirar a poeira destes conhecimentos. Considero que isto também é uma forma de salvaguardar", completa.
No mesmo horário desta atividade, só que no Parque Dona Lindu, as pessoas podem participar de um aulão sobre diversos estilos de dança. Às 14h, no Nascedouro de Peixinhos, o público encontra a dança de rua.
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Revista CRIATIVA - Editora GLOBO - Março de 2011.
Diversão grátis
RECIFE
Frevo
O grupo Guerreiros do Passo estimula o interesse pelo frevo mesmo fora do carnaval. Às quartas-feiras (19h) e aos sábados (15h), oferece aulas de dança na Praça do Hipódromo, em Recife. Não requer inscrição.
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Caderno VIVER - Edição de quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011.
E viva o frevo!
Por Tatiana Meira
Muitos locais preparam o folião para encarar o carnaval com mais desenvoltura, alguns inclusive de graça

O frevo é para ser dançado o ano inteiro. Mas quando o carnaval se aproxima, eis que os aspirantes a passistas se animam, tiram a sombrinha do armário, buscando aprimorar o que sabem ou aprender alguns movimentos, para fazer bonito durante a folia. São muitos os locais onde uma das mais pernambucanas das danças pode ser praticada e, em certos casos, o número de alunos chega até a dobrar. É o fenômeno que ocorre na Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges, na Encruzilhada, que tem uma média de 450 alunos nos outros meses do ano, mas alcança quase mil praticantes em fevereiro, divididos entre a sede e o Teatro do Parque, onde 180 pessoas ocupam a sala de ensaio.
´Chegamos a abrir turmas de outros ritmos populares para adultos, mas não tivemos procura. As oficinas de frevo superlotaram`, conta Ana Miranda, que dirige a Escola de Frevo há um ano e meio. Segundo ela, um dos diferenciais da escola - equipamento ligado à Fundação de Cultura Cidade do Recife - é a gratuidade das aulas, para as quais ainda restam vagas.
Também diretora da Cia Perna de Palco, Ana Miranda informa que no Liceu (antigo colégio Nóbrega) a oficina contempla o ciclo carnavalesco, trazendo além do frevo, caboclinho, maracatu, afoxé e samba. ´Não é preciso ter experiência anterior e o frevo não é tão puxado, é só para despertar um pouco`, detalha a diretora, lembrando que o curso custa R$ 40 por pessoa.
Trilhando o caminho do passista de rua, o grupo Guerreiros do Passo realiza seus aulões ao ar livre, gratuitamente, na Praça do Hipódromo. Começou aos sábados, às 15h, desde 2005, e ampliou também para as quartas-feiras, às 19h. ´Fomos discípulos de Nascimento do Passo e resolvemos continuar nos encontrando, para manter o frevo pulsando. Pesquisamos os elementos das origens do frevo, dos capoeiras e passistas antigos`, aponta Eduardo Araújo, coordenador dos Guerreiros, que mantém a atividade formativa o ano inteiro, dando apenas um mês de intervalo após o carnaval.
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MEMÓRIA
Nascimento do Passo será homenageado em desfile no Recife Antigo
Publicado em 11.02.2010 

Uma das maiores figuras da história do frevo, o Mestre Nascimento do Passo, será homenageado nesta quinta (11) pelo grupo de dança Guerreiros do Passo, juntamente com o Clube Carnavalesco Misto Escuta Levino.
Às 20h, o desfile terá início na Praça Maciel Pinheiro e vai seguir até o Recife Antigo. A celebração contará com passistas, estandartes, orquestra do Maestro Lessa e o Boneco Gigante do Mestre Nascimento.
Francisco do Nascimento Filho nasceu em 28 de dezembro de 1936 na cidade Benjamim Constant, Amazonas. Chegou ao Recife como clandestino em 1949 e teve diversos empregos, como, entre outros, engraxate e carregador de frete. Trabalhou por quase cinco décadas divulgando o frevo, ministrando aulas e fazendo turnês pelo Brasil e Europa.
Mestre Nascimento do Passo faleceu em 02 de setembro de 2009 devido a um câncer no estômago. O desfile de quinta será a primeira festa em resgate de sua memória.

Serviço
Dia: 11/02, quinta feira
Horário: 20h
Local: Ínício do desfile na Praça Maciel Pinheiro, indo até o Recife Antigo.
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DANÇA
Cultura brasileira destaca-se no festival
Publicado em 29/10/2009

O frevo toma conta da Praça da Independência hoje, às 15h, com o grupo Guerreiros do Passo. Na ocasião, eles apresentam o espetáculo O frevo e prestam uma homenagem ao Mestre Nascimento. Esta é uma das atrações do 14º Festival Internacional de Dança do Recife, que tem outras três companhias na programação de hoje.“O frevo é um experimento, que narra a origem dele, desde os capoeiras até chegar ao frevo como é dançado hoje. As músicas também acompanham este caminho, desde os sons de berimbau, dobrados, frevos do inicio do século 20 e as músicas de hoje”, explica Eduardo Araújo, que dirige o espetáculo com Gil Silva.
O elenco é formado por 12 integrantes, entre mestres de capoeira e passistas. “A gente tenta chegar o mais próximo do que realmente acontecia. A escolha da Praça do Diário foi uma sugestão do próprio grupo, por ali passavam muitos blocos antigamente”, ressalta Araújo.
No Teatro Barreto Júnior, às 17h, a jovem Cubos Cia de Dança (SE) se apresenta pela primeira vez no Recife. Eles trazem Reverso, que teve montagem apoiada pelo Prêmio de Dança Klauss Vianna e estreou em setembro deste ano em Aracaju. “O espetáculo fala sobre o Nordeste, mas queremos a água, o artesanato, o festejo dele. Uma outra visão do Nordeste, diferente daquela que as pessoas estão acostumadas a ver no teatro. Ele é montado em quatro vertentes: o trabalho, o artesanato, o sagrado e os festejos”, explica o bailarino e diretor do grupo, Rodolfo Sandes. “Uma proposta que a Cia. Tem é criar espetáculos completamente diferentes em dos outros, para ampliar a pesquisa”, avalia Sandes.
A cultura brasileira também é trabalhada pelo Grupo Grial em Castanha sua cor, que será apresentado às 19h no Teatro do Parque. De uma maneira poética, Maria Paula Costa Rego (bailarina de formação erudita) e Sebastião Pereira (um dos mais antigos brincantes de Pernambuco) misturam a tradição popular com a contemporaneidade.
A última atração da noite é a Cia. Nósláemcasa (SP), com Estudo para uma dança. A proposta parte das possibilidades de diálogo entre o movimento sonoro e o dançado, com uma preparação corporal baseada na prática do Tai Chi Pai Limp. A apresentação acontece no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h.
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Frevo é ensinado na praça
Publicado em 23.11.2008


Sem espaço fixo para aprender o ritmo, grupos improvisam aulas nas vias públicas de bairros da Zona Norte e reclamam da falta de incentivo

É no meio da Praça Tertuliano Feitosa, no bairro do Hipódromo, Zona Norte do Recife, que a estudante Emilly Geovana dos Santos, 8 anos, tem aulas de frevo. É durante a noite na Rua Jerônimo Serpa, no bairro de Peixinhos, em Olinda, que Marina Cavalcanti Oliveira, 10, ensaia o ritmo para a próxima apresentação do Grupo Guerreiros do Passo, projeto criado há três anos por quatro professores de dança. As aulas acontecem duas vezes por semana durante três horas, para dezenas de pessoas, entre 5 e 40 anos.
"Não temos espaço certo para as oficinas de dança. Vamos criando ambientes em lugares públicos", comenta o coordenador do Guerreiros do Passo, Eduardo Araújo. Há um ano, o grupo de professores também ensinava no pátio de uma escola em Rio Doce, Olinda, mas as aulas foram suspensas por falta de verba.
"Não tínhamos como pagar as passagens dos instrutores. Pensei que com a transformação do frevo em patrimônio imaterial, pudéssemos vislumbrar algum apoio institucional, mas não tivemos nada. Buscamos em todos os órgãos incentivo para a manutenção dos trabalhos e até agora nenhuma resposta", conta Eduardo.
É com a ajuda dos avós, a dona de casa Rosa Maria dos Santos, 60, e o aposentado Geraldo Cabral Cavalcanti, 64, que a aluna Marina participa dos ensaios. "Isolamos a rua de noite e desviamos o percurso dos carros para que possam dançar em paz. Além disso, colocamos dois refletores na via e servimos água para o pessoal. Quando chove as aulas são na garagem", informa a avó.
Os encontros acontecem todas as sextas-feiras a partir das 14h e aos sábados às 19h. "Adoro dançar. Como não faço outra atividade fora da escola minha avó decidiu me colocar para participar do Guerreiros", diz Marina, que freqüenta as aulas desde os 6 anos. Além das aulas práticas, os alunos também recebem lições sobre a história do frevo e seus principais representantes.
O artesão Jorge Alberto Alves, 29, morador de Campina do Barreto, Zona Norte, também é aluno do grupo. Ele utiliza o dom da profissão para consertar as sombrinhas doadas aos alunos que não podem comprar. "Já nem sei quantas sombrinhas passaram pelas minhas mãos, mas tem uma hora que não tem jeito, o remendo não dá conta", afirma ele, que dança de pés descalços para não desgastar a única sapatilha que possui. "Deixo para as apresentações."

Obs. Esta reportagem está disponível também no site ATITUDE CIDADÃ, portal criado para notabilizar iniciativas de solidariedade e ações sócio-culturais no estado de Pernambuco. Você pode acessar o site clicando no ícone Atitude Cidadã na página principal do Blog dos Guerreiros.
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ARTIGO
Fazer o passo
*Reinaldo de Oliveira
Publicado em13/02/2008

Já fui bom nisso. Meu carnaval se resumiu a ir ao Marco zero, no último sábado, para assistir parte da maratona em homenagem aos 101 anos do Frevo. Fui assistir Antonio Carlos Nóbrega, como sempre notável. Depois emendei com a Orquestra de Duda. Ambos se valeram de cantores como Dalva Torres e J. Michillis, além de Getúlio Cavalcanti que cantou com Nóbrega a bela composição de ambos, ‘O Boi’, remanescente de antigos festivais.
O sensacional na apresentação de ambos foi um grupo de passistas dos ‘Guerreiros do Passo’. Arrepiei-me todo. Ali estavam os exemplares, infelizmente raros, dos reais passistas. Cada um faz o passo de acordo com a intuição de cada um, sem coreografias preconcebidas. Valdemar de Oliveira descreveu em seu ‘Frevo, Capoeira e Passo’ a figura de quem faz o passo. O Passo é a dança do frevo. Nele tudo é impulsividade, espontaneidade, criação feita na hora em que uma orquestra puxa um ‘Come Dorme’, ou um ‘Gostosão’, ou um ‘Vassourinhas’ e o passista pula na rua sem saber onde irá parar e salta e dança, como quem quisesse esmagar, com os pés, as notas dos trombones e pistons, espalhadas sobre o calçamento. Nem um se incomoda com o tipo de passo que o passista ao lado estiver fazendo. O que importa é o que ele cria, na hora.
Tive oportunidade de depois bater um bom papo, com três deles: o Eduardo Araújo, o Gil Silva e a Lucélia Albuquerque. Ainda vinham com as roupas coladas no couro, pelo show que acabavam de dar, no palco do Marco Zero. Transmiti-lhes meu prazer por vê-los não se curvar ao passo estilizado das Escolas de Frevo, contra as quais não tenho nada, porém que padronizam o passo tirando a espontaneidade da criação, na hora. Quando eles saíram, se propondo a um remonte de ‘Frevo, Capoeira e Passo’, espetáculo levado por mim e meu irmão Fernando com orquestras de Guedes Peixoto, Clóvis Pereira e Duda, nos quais eles tomaram parte, observei um garoto de uns 9 ou 10 anos. Junto de mim esse menino fazia o passo, sozinho, de maneira extraordinária, com criações ‘no upa’. Fiquei extasiado e não resisti quanto a ir à mãe, ou avó, saber do seu nome: Vinicius Alexandre. Ainda tenho, na retina, as imagens de seus passos, na ponta dos pés, nas tesouras, nos parafusos e no que lhes vinha à cabeça, no momento em que Spok tocava o ‘Passo Fino’.
Saiba o leitor que os grandes passistas eram encontrados, no calçamento quente da Pracinha do Diario, ao meio-dia e não nos programas de televisão dançando iguaizinhos, com vestimentas coloridas iguais e sombrinhas multicores. Nada disso. O guarda-chuva velho e rasgado, com um pão duro enfiado na ponta, a roupa velha ou esmulambada é que caracterizam o passista autêntico. Acompanhar, como eu acompanhei, a orquestra do bloco ‘O Cachorro do Homem do Miúdo’, na Rua Henrique Dias, no Derby, ainda sem calçamento, ao meio dia, era uma aula de frevo, desde as músicas tocadas aos passistas participantes. Isso nos idos da década de 40.
Sim, porque, pode não parecer, mas eu já fui moço e já fiz o passo.

* Membro da Academia Pernambucana de Letras e dos Conselhos de Cultura do Estado e do Município
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Guerreiros do Passo: aulas gratuitas para a celebração do frevo
Publicado em 22/09/06

A luta dos capoeiristas que acompanhavam as bandas militares, há 100 anos, transformou-se numa dança alegre e símbolo de Pernambuco. Hoje, a briga dos Guerreiros do Passo não tem nenhuma ligação com rivalidade ou violência. A luta é pela valorização e divulgação do frevo o ano inteiro.
"Queremos mostrar que o frevo pode ser praticado por pessoas de todas as idades", diz o engenheiro agrônomo Gil Silva. Ele é um dos quatro professores que dedicam todo o tempo livre para ensinar a tesoura, o ferrolho e outros tantos passos que fazem sucesso no Carnaval. As aulas, gratuitas, são realizadas em praças e escolas. "Não precisa se inscrever. Basta chegar ao local, ter mais de 7 anos e vontade de aprender", diz Gil.
O grupo de professores, formado também por Eduardo Araújo, Lucélia Albuquerque e Waldomiro Neto, frequentava a Escola de Frevo do Recife e fundou o projeto em 2005. "A ideia surgiu depois que criamos a Troça Carnavalesca O Indecente, que desfila um sábado antes do Galo da Madrugada", explica Eduardo. Para os Guerreiros do Passo, o importante é que cada aluna siga o seu ritmo e, de forma gradual, consiga fazer os passos que exigem força e equilíbrio. “O passista é quem vai descobrir o que pode fazer”, explica Gil.
As aulas acontecem as quintas e sábados em Jardim Brasil II, Maranguape, na Escola Mário Melo (Campo Grande) e na Praça do Hipódromo. Os professores levam sombrinhas de frevo e água para os alunos enfrentarem duas horas de alongamentos e passos.

Uma amostra do resultado de tantas aulas pode ser conferida no teatro Apolo. Os professores e mais 15 alunos fazem o espetáculo de abertura do contemporâneo Fervo, de Valéria Vicente. "Em 10 minutos apresentamos um resumo da origem do frevo. Desde os capoeiristas, os passistas antigos e até o frevo de hoje", diz Eduardo Araújo. No palco, passistas de 8 a 44 anos mostram que a luta dos Guerreiros do Passo pela atemporal celebração do frevo pode ser vitoriosa.
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14/09/2006

A dança que nasceu da repressão
Fervo, espetáculo que estréia hoje no Apolo, aborda o frevo desde a gênese, quando escravos recém-libertos executavam passos nas ruas

Por FABIANA MORAES
Não é fácil desconstruir um ícone, principalmente quando ele se propõe a resumir o ethos musical de um Estado. Mas é essa a idéia do espetáculo Fervo, que estréia hoje no Teatro Apolo, com temporada de três semanas. Nele, dança e música têm lastro no ritmo local por excelência, o frevo, que, se hoje nos remete apenas à idéia pueril dos passos cruzados sob o asfalto quente, há um século era ligado primeiramente a uma massa formada por gente à margem da sociedade. “Eram negros recém-libertos, marginais, capoeiras desempregados que se misturavam nas ruas cerca de 10 anos após a abolição”, diz a coreógrafa Valéria Vicente, que dirige pela primeira vez um grupo de dança.
Valéria – assim como os bailarinos Jaflis Nascimento, Calixto Neto, Iane Costa e Lêda Santos e os músicos Yuri Queiroga e Silvério Pessoa, responsáveis pela trilha do espetáculo – integra uma espécie de tour de force que tenta afastar o frevo de seu aspecto meramente folclórico. A violência inerente ao ambiente de cem anos atrás – também presente hoje – é o mote para trabalhar a linguagem longe dos clichês que poderiam facilmente ser empregados. “Hoje vive-se a mesma situação, é uma violência historicamente construída”, fala Valéria, que volta a trabalhar com o frevo após ter se dedicado nos últimos anos apenas à dança contemporânea.
Para executar a coreografia, ela formou um grupo que traz informações de diferentes nuances – e mesmo técnicas – do ritmo. Jaflis Nascimento (filho de Nascimento do Passo, primeiro a elaborar uma sistematização da dança) é responsável por levar a informação mais espontânea, “bruta”, da manifestação ao espetáculo. Já bailarinos como Calixto Neto, que integra a trupe da Escambo Cia. de Criação, trazem movimentos de quem estudou a técnica com olho de pesquisador. “Essa é de fato uma característica de Fervo, englobar trabalhos com diferentes lapidações”, diz Valéria. Calixto, aliás, é o único do elenco que ainda não tinha experiência com o frevo. “É bem diferente do trabalho com a dança contemporânea, uso partes do meu corpo que antes não eram necessárias. Também temos que dosar a respiração de uma maneira nova”, comenta.
Participam ainda do projeto a atriz e figurinista Isa Trigo, professora na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), o bailarino e coreógrafo Marcelo Sena (que assina a produção artística e a assistência de coreografia) e Luiz Guimarães, músico, produtor e compositor que realizou a produção da coleção Os melhores frevos do século.
ABERTURA – Apesar de usar uma ótica diferente para abordar o frevo, o espetáculo que estreia hoje no Apolo não deixa de prestar sua homenagem ao ritmo em si. Para isso, foram chamados os integrantes do grupo Guerreiros do Paço, que estudam a linguagem do frevo na cidade há quase dois anos. O grupo, que tem célula na Escola de Frevo do Recife, realiza um trabalho louvável para promover o ritmo. Para um dos dançarinos, Eduardo Araújo, o frevo, bastante citado como um fenômeno artístico de vital importância ao pernambucano, é ainda artigo de luxo nas ruas do Estado. Restrito ao Carnaval, ele precisa brigar por um espaço que, a priori, seria seu.
“Nós formamos o grupo justamente porque é muito difícil escutar um frevo em meses diferentes do Carnaval”, conta Eduardo. O Guerreiros do Paço realiza trabalhos com comunidades de quatro localidades: em Rio Doce e Jardim Brasil (Olinda) e Escola Municipal Mário Melo e Praça do Hipódromo (Recife). No último local, acontecem, todos os sábados, aulas que reúnem os professores do grupo (são quatro) e alunos que aprendem frevo gratuitamente. Dezesseis pessoas vindas do Guerreiros estarão presentes na abertura do espetáculo hoje. “Começamos com uma capoeira, depois entra um dobrado (fanfarra), seguido por dançarinos que interpretam movimentos do frevo. Depois, quatro passistas entram em cena”, descreve Eduardo.

Serviço: Fervo - de 14 a 29 de setembro, no Teatro Apolo. Quintas, às 20h, e sextas às 21h. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

(© JC Online)

Matéria reproduzida também neste site: http://www.nordesteweb.com/not07_0906/ne_not_20060914b.htm